Junho 12th, 2008 por simon.ducroquet

Essa ilustração foi para o caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de 04 de junho de 2008. O prazo para ilustrações de jornais sempre é curto, e essa não foi uma excessão. Me ligaram às 8h da noite para entregar às 11h da manhã seguinte. Vida de profissional autônomo é assim mesmo, e eu gosto. Você passa o dia inteiro cuidando das suas coisas, dos trabalhos autorais, do blog, passeando, recebendo amigos. De repente, te ligam e você tem que dar um gás. Nesse caso - não sei se por sorte ou auto-condicionamento - quando desliguei o telefone a idéia brotou na minha cabeça, prontinha. O tema era audiolivros: obras literárias narradas para serem ouvidas em CD. Busquei seguir a pesquisa que vinha fazendo em meu trabalho autoral. Me desprendi um pouco da estilização que estava fazendo para representar rostos, e me deixei levar apenas pela leveza e pelas cores de impacto. A medida que vou fazendo a ilustração sempre gero muitas imagens que servem para sentir como o trabalho está evoluindo. É comum olhar para trás e perceber que estava melhor antes. Geralmente esse é um indício de que o trabalho está ficando pronto. Sim, porque o “está pronto” nem sempre é tão evidente como se possa imaginar. Pode-se levar horas, dias, ou até mesmo nunca chegar a certeza para se dizer: “acabei”.

É claro que o prazo costuma acelerar esta decisão. Nesse caso, foi tranqüilo. Dormi à meia-noite, acordei as 8h e às 10h o arquivo tinha sido enviado. No dia seguinte estava nas bancas.
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Junho 5th, 2008 por simon.ducroquet

Quem freqüenta o centro de Curitiba deve ter reparado que as traseiras dos ônibus da linha Circular Centro ficaram mais coloridas. Trata-se de um projeto da Fundação Cultural para dar visibilidade aos artistas locais. Ao todo, foram oito contemplados. Sou suspeito para falar da iniciativa, afinal figuro entre esses oito contemplados. O ônibus que leva a minha arte é esse que vocês estão vendo aí em cima. (foto de Bruno Oliveira.)
Mas tudo bem, ser suspeito não tira o meu direito de opinar. Então vamos lá. Acho que o grande mérito deste projeto, que está na sua segunda edição, foi abrir o espaço à comunidade de artistas locais. Qualquer um poderia propor sua arte, desde que comprovasse sua atuação na área de artes visuais. Conheci cinco dos contemplados pelo projeto, e fiquei feliz em ver que eram todos jovens artistas como eu. Acho que existem artistas consagrados em Curitiba, que merecem todo respeito, mas existe certo exagero em torno de alguns nomes. Por todo canto onde se ande nesta cidade e exista uma obra pública, haverá lá um painel do Potty. Não estamos falando de uma ou outra obra. Estamos falando de algumas dezenas. Admiro muita a obra produzida por ele e admito que fui influenciado por ela.
Talvez, e essa é uma teoria minha, bastante otimista, estejamos passando pela transição, ainda tardia, de uma Curitiba antiga para uma nova Curitiba. Nos anos 70, começo dos 80, essa cidade tinha pouco mais de 300 mil habitantes. Naquela época, bastava um bom berço, andar com as pessoas certas e auto-declarar: “sou artista”, para você ser um grande artista. O mesmo vale para os jornalistas, fotógrafos, etc. Hoje as coisas são um pouco diferentes. A cidade cresceu, tem artista por todo lado. As pessoas começam a ter mais acesso ao conhecimento e começam a perceber o que é bom e o que não é. Um bom berço e boas amizades ajudam, mas essa “turma” está ficando acuada. E prova disso é essa gradual abertura da Fundação Cultural de Curitiba. Que pode ter lá seus defeitos, mas pelo menos não estão transformando nossa cidade no maior museu ao céu aberto de um único artista. Aliás, alguem já ouviu falar do Potty fora de Curitiba?
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Maio 19th, 2008 por simon.ducroquet

A revista Vida Simples vai contar com algumas ilustrações minhas a partir do mês de maio. Mais um dos frutos da visita à São Paulo no começo do ano. O interessante é que pediram para manter a mesma linguagem que tinha sido usada no cartaz do Baque Solto, inclusive mantendo as mesmas cores. Concordei, afinal é uma boa idéia: os desenhos do cartaz funcionam bem como ilustrações para uma revista como a Vida Simples, que trabalha nessa linha do viver bem, da leveza, dos bons fluidos.

Gostei muito de trabalhar com os textos, que fazem parte da seção fixa de colunistas da revista: Soninha, Caco de Paula, Luiz Alberto Marinho e Denis Russo. Trazem reflexões sobre assuntos do cotidiano. Fazer ilustrações editoriais é a busca de um equilíbrio. Trazer algum elemento inusitado que de alguma forma atraia o leitor, sem ser redudante com o próprio texto e sem ser idependente demais do tema. Neste caso, há uma preocupação estética a mais, que é manter a unidade entre todas as ilustrações. Ou seja, além de usar as mesmas cor e o mesmo tipo de traço, é preciso ponderar as “massas gráficas” de cada desenho para que não exista um desequilíbrio. O resultado está nas bancas, espero que gostem, porque mês que vem tem mais.
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